Em minhas experiências assessorando criadores e fazendas, percebo que a introdução de um novo animal no rebanho é um dos momentos em que mais surgem dúvidas e preocupações. Recebo perguntas quase diariamente sobre riscos de doenças, brigas, estresse e integração. Já vi de perto situações que correram mal, por falta de planejamento, assim como introduções tranquilas que favoreceram o bem-estar dos animais e a organização do haras.
Por isso, reuni neste artigo um passo a passo detalhado, pensado especialmente para quem deseja garantir um processo seguro, produtivo e alinhado com as melhores práticas. Vou mostrar como pequenas ações podem fazer toda a diferença, inclusive aproveitando o apoio da tecnologia, como a assistente Seu haras, para acompanhar cada fase com mais controle e tranquilidade.
Por que planejar a entrada de um novo animal?
Antes de chegar ao passo a passo, considero fundamental entender por que há tanta preocupação ao adicionar um novo membro ao rebanho. Essa etapa pode impactar a saúde coletiva, gerar estresse social e até afetar a produção em casos de equinos, bovinos e outras espécies.
Além disso, há questões legais: em lugares como São Paulo, a Resolução SAA nº 28/2024 obriga a atualização do cadastro do rebanho, listando espécie, sexo e faixa etária. Ou seja, registrar tudo corretamente não é só recomendação, mas também obrigação.
A chave para sucesso é preparação e acompanhamento.
Passo a passo para introduzir um novo animal
Abaixo, detalho o processo que costumo utilizar e indicar. Cada etapa pode ser ajustada conforme a espécie, porte e realidade da sua criação.
1. Quarentena: a primeira barreira
Em minha opinião, o isolamento temporário é indispensável. Prefiro sempre manter o novo animal separado por um período de 15 a 30 dias. Isso permite observar sintomas de doenças incubadas, fazer exames laboratoriais, vermifugação ou vacinação caso necessário.
Anoto tudo: datas, resultados, vacinas. Com a assistente Seu haras, é possível registrar esses dados rapidamente pelo WhatsApp, sem perder nenhuma informação relevante do processo de quarentena.
2. Avaliação da saúde e documentação
Neste ponto, sempre reviso exames, carteira de vacinação, CZI (caso de transporte internacional) e o Guia de Trânsito Animal (GTA), indispensáveis para trânsito e regularização da entrada do animal, conforme a importância do cadastro para emissão da GTA.
- Confirme ausência de sinais como febre, tosse, corrimento nasal ou feridas.
- Registre no sistema todos os números relevantes (microchip, brincos, documentos).
- Garanta que as vacinas estejam em dia, especialmente as obrigatórias na sua região.
3. Adaptação gradual do ambiente
Após a quarentena, nunca solto o animal diretamente no grupo. O que costumo fazer:
- Permito que o novo animal veja e cheire o grupo, mantendo uma barreira, como cerca ou piquete, para evitar contato direto inicial.
- Observo as reações: estou atento a sinais de agressividade ou estresse tanto do recém-chegado quanto dos residentes.
- Após dois ou três dias sem sinais negativos, possibilito o contato mais próximo, sempre supervisionado.

Esse processo pode variar entre equinos, bovinos, ovinos, mas o princípio é similar. O objetivo é promover um reconhecimento seguro antes da integração total.
4. Integração monitorada
No momento do encontro físico, costumo escolher períodos mais calmos do dia, como início ou final da tarde, após a alimentação quando os animais tendem a estar mais tranquilos.
- Supervisiono as primeiras interações de perto.
- Evito áreas pequenas ou com poucos pontos de fuga.
- Deixo feno ou comida espalhada, para reduzir disputas por recursos concentrados.

Introdução não é só soltar: é supervisionar cada instante até haver harmonia.
5. Ajustes finais e observação contínua
Nas primeiras semanas, anoto toda e qualquer alteração de comportamento, apetite ou saúde. Se percebo um animal isolado, muito agressivo ou apático, tomo providências rapidamente, seja removendo temporariamente, seja buscando auxílio veterinário.
No caso de grandes rebanhos, costumo dividir em subgrupos menores, sempre que possível. Assim, a integração se dá de forma menos agressiva.
Documentação e acompanhamento: por que isso importa?
Em minhas visitas técnicas, noto como muitos criadores acabam esquecendo informações ou perdendo prazos legais. Só para ilustrar, o rebanho bovino brasileiro atingiu 234,4 milhões de animais em 2022. Manter documentação nesse universo é sempre um desafio.
Com sistemas como a Seu haras, todas as etapas podem ser facilmente registradas, desde exames até datas de quarentena e vacinas, além do cadastro obrigatório exigido por diversas normativas estaduais.
Ter esses controles bem feitos evita perda de informações, multas e até propagação de doenças dentro do plantel.
Dicas práticas para uma integração tranquila
- Prepare previamente o espaço onde o animal ficará isolado, com sombra, alimentação e água fresca.
- Evite mudanças bruscas na dieta ou rotina durante os primeiros dias.
- Mantenha registros detalhados de tudo que acontece, inclusive pequenas brigas ou estranhamentos, usando um sistema de fácil acesso.
- Conte com apoio profissional (veterinário ou zootecnista) quando observar sinais de doença ou grande estresse.
- Garanta que todos os responsáveis pelo manejo estejam informados dos procedimentos.
Detalhe não é excesso de zelo: é prevenção e segurança.
Conclusão
Ao longo dos anos, percebi que quem planeja a introdução de novos animais reduz riscos, protege o rebanho e ganha muito mais tranquilidade no cotidiano. Seguir um passo a passo e centralizar informações em ferramentas práticas, como o Seu haras, traz segurança jurídica, saúde animal e mantém a organização do criatório, de pequenos haras a grandes fazendas.
Quer experimentar mais controle, praticidade e segurança na gestão do seu rebanho? Conheça a assistente Seu haras e veja como ela pode transformar sua rotina pelo WhatsApp.
Perguntas frequentes
Como evitar brigas entre os animais?
O segredo está em fazer a adaptação de maneira gradual, com períodos em que o novo animal fica próximo do grupo, mas separado por uma cerca ou piquete. Deixe que eles se observem antes de qualquer contato direto. Supervisione as primeiras interações, escolha horários mais calmos e ofereça alimentos dispersos para não gerar disputas. Evitar áreas pequenas nos primeiros contatos e ter paciência para observar o comportamento coletivo ajuda a reduzir riscos de brigas e ferimentos.
Qual o melhor momento para introduzir?
Em minha avaliação, as melhores horas para realizar a introdução são as mais frescas do dia, como o início da manhã ou o final da tarde. Nesses períodos, os animais estão menos agitados, o que favorece um encontro mais calmo. Outro ponto importante: após a alimentação, a tendência é que estejam mais relaxados, o que contribui para uma adaptação mais tranquila.
Preciso isolar o novo animal primeiro?
Sim, a quarentena é fundamental, segundo as melhores práticas sanitárias. O isolamento inicial permite identificar possíveis doenças ou parasitas e fazer exames e vacinas sem risco para o rebanho. Além disso, dá tempo tanto para o animal recém-chegado quanto para o grupo se acostumarem com a nova presença, mesmo que apenas visualmente.
Quais cuidados de saúde devo ter?
Garanta que todas as vacinas estejam atualizadas, faça exames clínicos e laboratoriais ao receber o novo animal, e cumpra as exigências legais como o Guia de Trânsito Animal (GTA). Observe sinais gerais de saúde diariamente durante quarentena, como apetite, fezes, secreções e comportamento. Registrar essas informações ajuda a tomar decisões rápidas diante de qualquer suspeita.
Quanto tempo dura a adaptação?
O período médio, na minha experiência, é de duas a quatro semanas, contando desde a quarentena até a integração total, mas isso pode variar bastante conforme a espécie e o temperamento dos animais. Nunca apresse o processo: respeite o ritmo do grupo e do recém-chegado, monitorando sinais de estresse ou doenças.